Quando o relacionamento chega ao fim!

O coração tem razões que a própria razão desconhece. Ao falarmos das coisas do coração somos quase que magicamente remetidos ao fascinante mundo do amor. Mas alguém já se questionou porque este órgão tão vital para o ser humano foi escolhido como o lugar das emoções?

A resposta para essa pergunta possivelmente reside no fato de, ao manifestar-se as emoções quase sempre vem acompanhadas por fortes batimentos cardíacos. Diante desta perspectiva podemos considerar que o amor é carregado de emoções, sentimentos e afetos que dão cor e sabor a vida e nos impulsionam a viver.
Nossos afetos se expressam através de sonhos, fantasias, expectativas, palavras, gestos, pensamentos, atitudes e principalmente através dos desejos, creio ser esse último, o cerne da questão, ou seja, o desejo ocupa o papel central na vida afetiva.

Especialistas no assunto afirmam que o desejo é a chama que ilumina o sujeito e o leva a buscar aquilo que para ele é uma fonte de realização, o desejo é considerado um estímulo ao psiquismo.

Assim identificamos que o ser humano é movido pelos seus desejos, é um ser "desejante", isso explica em parte o fato de estarmos sempre em busca de algo que está nos faltando, em outras palavras, podemos dizer que avida perde o sentido significativamente quando a pessoa está fora do registro do desejo.

O desejo é o principal combustível da vida, sem ele a vida se resume a manutenção da existência e da sobrevivência, desta forma o interesse acerca do mundo é consideravelmente reduzido. Frente a essa redução de interesse, a pessoa perde o colorido, o sabor da vida e deixa de ser protagonista de sua própria existência, quando interrompemos a busca pelo desejo, a vida se torna uma mera existência e o que permanece é o vazio e a dor.

Nesse contexto podemos considerar que o fim de um relacionamento encerra inexoravelmente o desejo de estar em companhia do ser amado, o que implica em grandes perdas, e o desinvestimento de tudo que foi investido ao longo do tempo. A perda do ser desejado pode ser comparada a perda de um ente querido, o que nos coloca diante de um estado de luto, que precisa ser elaborado, a elaboração é viabilizada através da vivencia do ocorrido, para tanto é preciso compreender e acolher a dor como um sentimento legítimo e inevitável diante dos fatos, desse modo à dor não poderá ser negada, mas sim sentida e encarada como um processo natural da experiência humana. 

A dor pela perda de um amor é amplamente retratada na música popular brasileira.

Se ela me deixou, a dor
é minha só, não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor.
Se ela preferiu ficar sozinha,
ou já tem um outro bem.
Se ela me deixou a dor é minha,
a dor é de quem tem...    

Ao nos confrontarmos com situações limites, das quais os nossos esforços de nada adiantam, por estarmos diante do irremediável, do inevitável, é natural nos sentirmos impotentes e nesse cenário a tristeza é legitimada pela condição humana, que nos coloca em contato com a nossa extrema fragilidade, diante do confronto com o mundo que nos cerca.

No palco da vida é preciso compreender que, perder pessoas que nos são valiosas, faz parte do grande espetáculo que é a vida e quanto antes aceitarmos isso, logo entenderemos que o show precisa continuar, a final como diria a minha brilhante e acolhedora terapeuta “viver não é sem dor, mas se aguentar passa”.

Entretanto é importante mencionar que as pessoas respondem de maneiras diferentes ao sofrimento e a dor. A resposta às situações de estresse vai depender muito da personalidade, da maneira como a pessoa lida com as situações adversas. Na literatura especializada encontramos com frequência o termo resiliência, que corresponde à capacidade de transformar a dor em vitória, algumas pessoas desenvolvem a habilidade de passarem por situações extremas de estresse e mesmo assim, conseguem transformar o seu contexto de maneira positiva. 


Nesse paradigma a auto-estima apresenta-se como um fator importante, já que a forma como a pessoa se percebe no mundo e como avalia a si mesma, define o seu modo de estar no mundo, tal avaliação pode ser positiva ou negativa. A auto-estima está estruturada em um tripé: auto-imagem (como me vejo?), autoconfiança (do que sou capaz?) e auto-aceitação (me aceito incondicionalmente como de fato sou?). 

No entanto acredito que esse tripé estará sempre condicionado ao auto-conhecimento, a final como posso me aceitar, ou confiar em mim e até mesmo me ver se não me conheço minimamente.

A psicoterapia pautada nos preceitos da psicologia Analítica é a mais indicada para o auto-conhecimento, nesse sentido o processo terapêutico funciona como uma ferramenta de transformação da personalidade como um todo. Essa transformação é possibilitada pela ampliação da consciência, permitindo ao indivíduo tornar-se quem de fato é, esse processo contribui para o restabelecimento do equilíbrio dinâmico da totalidade.

Além da psicoterapia de auto-conhecimento, recomendo nunca deixar a sua energia investida em um único aspecto da vida, invista energia sim, no relacionamento, mas também na vida profissional, nos estudos, no lazer, na família, nos amigos, considero esses alguns pilares de sustentação para uma vida equilibrada. Porque a mesma pessoa que afirma nos amar hoje, poderá não nos corresponder no dia seguinte, assim ao investirmos a nossa energia em apenas um pilar de sustentação, corremos o risco de ficarmos sem teto.

Finalizando gostaria de ressaltar a relevância no tocante a culpa ou a responsabilidade pelo fim do relacionamento. Aprenda a perdoar a si mesmo, isso e extremamente difícil, porém necessário, porque o eu perdoado fica livre para avançar, armado com a expansão da consciência que torna a vida muito mais rica.

Grande beijo!
Charles Calazans


Música: MONTE, Marisa.De mais Ninguém. In Verde, Anil, Amarelo, cor de Rosa e Carvão. Rio de Janeiro: EMI, 1994.


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